Na política, compromissos não são meras palavras ao vento. São pactos que deveriam ser cumpridos com rigor, em nome da harmonia e da sobrevivência coletiva. Afinal, ninguém chega ao poder sozinho: é sempre o grupo que sustenta, abre portas e oferece oportunidades.
Em Iramaia, o ex-prefeito Tunga consolidou seu legado e, como líder máximo local, estendeu a mão a Piu de Santo, escolhendo-o como sucessor. A decisão não foi isolada: envolveu colaboradores e carregava a esperança de continuidade de um projeto político que, até então, mantinha o grupo coeso.
Durante anos, Tunga contou com o apoio do deputado Sandro Régis e do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Foi essa parceria que lhe garantiu firmeza na caminhada pela direita estadual e sustentação para boas gestões à frente da prefeitura. O acordo era claro: apoio nas eleições municipais em troca de fidelidade nas estaduais. Um jogo de reciprocidade que, no mínimo, exigia lealdade.
Mas eis que surge a fissura. O atual prefeito Piu de Santo resolveu estender sua simpatia ao governador Jerônimo Rodrigues e a Rui Costa — adversários diretos de Sandro Régis e ACM Neto. O gesto, além de soar como traição, ameaça desmoronar a base conservadora que sempre sustentou Iramaia. A incoerência pode custar caro nas urnas, especialmente para aqueles que, como Tunga, foram fiéis ao grupo e colheram frutos dessa aliança.
As obras enviadas pelo governo estadual — como os canos para abastecimento de água potável no distrito de Placa e os projetos de asfaltamento da BR-330 — são vistas como moeda política. Benefícios concretos que obrigam Piu de Santo a se posicionar. Afinal, ignorar tais conquistas seria ingratidão, e ingratidão é veneno mortal na política.
O dilema é evidente: manter a fidelidade ao grupo que o alçou ao poder ou render-se aos favores do governo estadual. Até as convenções, tudo não passa de especulação e rabiscos. O desenho real virá depois, quando partidos definirem chapas e apoios. Nesse momento, será impossível esconder quem é leal e quem prefere o oportunismo.
Em Iramaia, a política mostra mais uma vez sua face crua: não basta ter retidão no discurso, é preciso provar lealdade na prática. O eleitor, cansado de promessas, saberá distinguir quem honra compromissos e quem se perde nos atalhos da conveniência.
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