O episódio envolvendo o prefeito Piu de Santo e sua relação com o governador Jerônimo Rodrigues revela muito mais do que aparenta. A cena política em Iramaia, marcada por alianças frágeis e disputas subterrâneas, expõe a dificuldade de manter a coerência entre discurso e prática.
A PARCERIA INICIAL
O encontro de julho de 2025, na governadoria do Estado, simbolizou um pacto de fidelidade política. A expectativa era de que a base de apoio do prefeito — composta por sete vereadores — funcionasse como sustentação sólida, garantindo governabilidade e alinhamento com o projeto estadual. Até então, parecia haver ordem e consistência.
O ATO ESVAZIADO
A reunião recente com o candidato a deputado federal Joseildo (PT), no entanto, mostrou fissuras. A ausência da maioria dos vereadores da base (Gilton Piôi, Elzo Bastos, Darlei da Rua Nova, Vinicius da Baia, Gu do MST e Rodolfo) e a presença restrita de apenas dois secretários, do vice-prefeito Waldemar e do vereador Rodolfo, (leia-se, Waldemar), sinalizam um desgaste. Esse esvaziamento não é apenas um detalhe logístico: é um gesto político que sugere desconfiança ou até dissidência.
O FANTASMA DE TUNGA BASTOS
Nesse cenário, emerge a figura do ex-prefeito Tunga Bastos, que atua como eminência parda. Sua articulação com nomes da oposição — ACM Neto, Cajado e Sandro Régis — indica que há uma força paralela disputando influência sobre os vereadores ausentes. Se confirmada essa adesão, o projeto de Piu pode estar sendo corroído por dentro.
O DILEMA DO PREFEITO
A grande questão é: quando o governador ligar de Salvador, será possível sustentar o discurso de que “está tudo em ordem”? A cena sugere o contrário. A base rachada compromete não apenas a narrativa de fidelidade firmada em 2025, mas também a capacidade de Piu de Santo de se manter como liderança confiável dentro do grupo governista. O risco é que, ao invés de transmitir segurança, o prefeito seja visto como alguém que perdeu o controle do próprio tabuleiro.
O episódio revela a fragilidade das alianças locais diante das pressões regionais e nacionais. A política em Iramaia mostra que fidelidade não se garante apenas com encontros simbólicos, mas com articulação constante e capacidade de manter a base coesa. Caso contrário, explicar ao governador, candidatos ao senado e à câmara estadual e federal, que está tudo em ordem na política de apoio em Iramaia, não vai passar de uma gagueira inevitável.
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