A política de Iramaia vive um curioso reencontro com o passado. Enquanto Toninho Caires se apresenta como alternativa para governar o município, a memória coletiva resgata um capítulo que muitos prefeririam esquecer: a gestão de seu pai, o ex-prefeito Dodinha, marcada por denúncias, abandono administrativo e questionamentos que ficaram registrados na história política local.
Os relatos da época descrevem uma cidade refém do clientelismo. Na saúde, o atendimento aos doentes, segundo as denúncias, dependeria da autorização de vereadores ou cabos eleitorais ligados ao prefeito. Como se a dor tivesse que pedir licença ao poder.
Enquanto isso, ambulâncias destinadas ao transporte de pacientes eram apontadas como utilizadas para carregar materiais de construção, numa inversão chocante das prioridades públicas. Na educação, o cenário era igualmente desolador. Escolas sem carteiras, estudantes sentados no chão e promessas salariais descumpridas para professores revelavam uma administração distante das necessidades mais básicas da população.
A infraestrutura municipal também padecia. Estradas abandonadas, dificuldades de transporte e isolamento das comunidades reforçavam a sensação de estagnação. Na comunicação, os moradores chegaram a enfrentar semanas sem sinal de televisão, um símbolo do descaso que atingia até os serviços mais elementares.
O esporte e a cultura não escaparam. A seleção local ficou longe das competições regionais e o estádio sofreu com o abandono. Como se não bastasse, pesavam ainda acusações de tentativa de cooptação política para ampliar a base governista na Câmara, fato denunciado publicamente à época. Mas talvez a maior crítica recaísse sobre a aplicação dos recursos públicos.
Enquanto a prefeitura recebia verbas estaduais, federais e recursos de convênios, a população questionava onde o dinheiro estava sendo investido. A cobrança por transparência tornou-se uma das marcas daquele período. Décadas depois, Toninho Caires busca convencer os eleitores de que representa um novo tempo.
O desafio, porém, é inevitável: mostrar que sua candidatura não é apenas uma tentativa de apagar uma das páginas mais controversas da história política de Iramaia, escrita justamente sob o comando de seu pai, Dodinha. Afinal, o passado não desaparece por decreto. Ele permanece vivo na memória de quem o viveu.
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